Em entrevista para o R7, dubladora da personagem diz que animação é "atemporal"
Em conversa por telefone com o R7, a dubladora britânica Kathryn Beaumont, que emprestou a sua voz para dar vida a Alice na animação, conta como foi trabalhar com Walt Disney, fundador do estúdio do Mickey; revela detalhes sobre as gravações do longa-animado e ainda dá a sua opinião sobre a versão de Alice nos País das Maravilhas feita, recentemente, por Tim Burton.
Aos 73 anos, é difícil reconhecer a voz de Alice na de Kathryn. No entanto, a doçura e curiosidade da personagem continuam presentes (“de onde você fala?”, “faz calor aí?”, “que horas são no Brasil?”).
Segundo a atriz, foi muito especial passar a juventude nos estúdios Disney. Na época em que foi chamada para participar do filme Alice..., ela tinha cerca de dez anos e já era aficionada pelas obras do estúdio, que já tinha lançado Branca de Neve (1937), Fantasia (1940), Bambi (1942) e outros.
- Foi maravilhoso! Eu não acreditava que tinha conseguido o papel principal da produção e que iria trabalhar nos estúdios do Walt Disney. Quando chegou a hora de conhecê-lo, para assinar o contrato, estava muito nervosa. Sabe quando você encontra uma grande estrela e fica sem palavras?
Conhecido por sua fama de grande empreendedor, o empresário, produtor e gênio das animações também era um homem simples e bastante simpático, como descreve Kathryn.
- Walt Disney era uma pessoa muito amigável e também tinha filhas, então ele sabia como falar com uma criança e deixá-la confortável. Esse primeiro encontro realmente me fez gostar dele. Ele era uma pessoa muito presente e sempre estava por lá, pegando o elevador, andando nos corredores e até tomando café com todo mundo. Era um ambiente muito relaxante e gostoso de se trabalhar.

Walt Disney e Kathryn Beaumont durante as gravações de Alice no País das Maravilhas (Foto: Disney)
Kathryn ainda conta que a animação Alice... foi pioneira. Apesar de só ouvirmos a voz da dubladora no desenho, a atriz gravava cenas do longa-animado e, depois, as imagens eram usadas para facilitar a criação dos animadores.
- Eu adorava gravar as cenas em live-action. Eu não sei se você já ouviu, mas Alice... foi um filme inovador. Nós filmamos as cenas, que não foram exibidas para o público, para os animadores assistirem. Assim, eles criariam o desenho de uma forma mais natural, inspirado nas cenas já gravadas.
A atriz ainda conta que esse filme em live-action nunca foi visto na íntegra pelo público. Entretanto, a edição comemorativa do Blu-ray de 60 anos de Alice..., lançado em março deste ano, traz trechos dessas gravações e ainda mostra como elas ficaram depois do trabalho dos animadores.
Alice eterna
Nesses 60 anos do desenho, a simpática Kathryn conta que já perdeu as contas de quantas vezes assistiu ao filme (“eu vi muitas vezes, você pode escrever desse jeito”). Aliás, ela também já assistiu ao longa-metragem de Tim Burton, lançado em 2010, pela Disney também.
- Tim Burton é... Como eu posso dizer? Bem, ele é diferente (risos)! Quando você assiste ao filme dele, você sabe que vai ver a interpretação dele sobre alguma coisa. E ele vê as coisas de uma maneira muito criativa. Eu realmente gostei do filme, o visual é maravilhoso e tem toda a tecnologia dos dias de hoje.
No entanto, Kathryn diz que nem imaginava que o desenho fosse fazer tanto sucesso e continuar dando o que falar mesmo após seis décadas.
- Na época, eu não tinha ideia que Alice se tornaria uma personagem tão importante. As histórias da Disney possuem uma vida própria, são atemporais. Os clássicos continuam voltando e as novas gerações gostam dos filmes antigos. Mas acho que o que torna Alice tão especial é por ser um filme contemporâneo, apesar de ser do século passado.






